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População carcerária cresce 19,5% em dois anos e chega a 726 mil pessoas

Pela primeira vez na história, a população carcerária brasileira ultrapassou a marca de 700 mil pessoas. Em junho de 2016, havia 726 mil presos no sistema penitenciário nacional, um crescimento de 19,5% em relação aos 607 mil registrados em junho de 2014. Os dados são do Infopen, o Sistema Integrado de Informações Penitenciárias, divulgado nesta sexta-feira 8 pelo Ministério da Justiça.

Como mostra o relatório, o crescimento da população prisional é uma tendência no atual período democrático brasileiro. Em 1990, eram 90 mil pessoas presas, número que foi a 232 mil no ano 2000. Em 2010, havia 496,3 mil presos e agora são 726 mil. Se fosse uma cidade, a população prisional seria a 25ª maior do Brasil, entre João Pessoa, a capital da Paraíba, e Santo André, na Grande São Paulo. No total, de 1990 a 2016, a população carcerária teve um aumento de 707%.

Além de mostrar o tamanho da população carcerária, o Infopen revela que essas pessoas são submetidas a condições degradantes. Apesar de abrigar 726 mil homens e mulheres, o sistema prisional brasileiro tem apenas 368 mil vagas. Há portanto 358 mil vagas a menos que o necessário, uma taxa de ocupação de 197,4%, o que significa que há praticamente dois presos por vaga. Ainda segundo o levantamento, 40% dos presos são provisórios, ou seja, jamais foram julgados e condenados pelo Judiciário.

A alta do número de presos se dá em um contexto no qual o Brasil é campeão mundial de assassinatos, com mais de 61 mil registrados em 2016. Ocorre que apenas 11% dos presos estão encarcerados por homicídio. A maior parte está detida por crimes contra o patrimônio, como roubo e furto (37%), e por tráfico de drogas (28%). (Informações: Carta Capital)

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